(Com texto e informações compiladas e adaptadas cedidas pela jornalista Marisa Linhares, publicadas em Maio/2016 na 5° Edição da revista Cacau de Ouro, nas páginas de número 120 a 126, segue um pouco da história do nosso fundador.)

Nem todo mundo possui as ideias mais vibrantes, ousadas ou geniais, geralmente poucas pessoas percebem uma oportunidade, pensam em entregar algo novo, pensam em resolver uma demanda com novos métodos.

Vamos contar a história de Toshio Shiokawa, fundador do Hospital e Maternidade São Paulo, um empreendedor que acumula as características de um profissional de sucesso.

Nascido no distrito de Rosália, cidade de Marília, no dia 01 de agosto de 1946, Toshio Shiokawa, cresceu numa família de poucos recursos, com outros nove irmãos. Seus pais eram comerciantes, no ramo de secos e molhados. Com esforço e trabalho tinham como foco a boa formação intelectual e moral dos filhos. Para isso todos deveriam se dedicar aos estudos e nunca reprovar.

Ainda jovem Toshio trabalhou como auxiliar de fotógrafo e depois como fotógrafo profissional. Estudioso se interessava pela área médica, o que o levou posteriormente à Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná, onde se formou em 1971.

O espírito empreendedor e a vocação o levaram à cidade de Fátima do Sul, no Mato Grosso do Sul, onde em 1974 fundou o hospital Nossa Senhora de Fátima, ao lado do também médico André Pucinelli, que posteriormente fez carreira política, tendo sido prefeito de Campo Grande e chegando ao governo do estado de Mato Grosso do Sul.

Movido pela vocação de ajudar o próximo e levar a Medicina aos lugares mais carentes, se retirou da sociedade em 1975, e assim como milhares de migrantes vindos de todo o Brasil, migrou para o Norte.

Foram dois dias de viagem num Fusca Vermelho, modelo 1300, novinho, que chegou a Cacoal todo amassado, por conta das estradas de difícil acesso da época. Naquele ano a cidade era administrada por Catarino Cardoso da Silva, e a prefeitura onde hoje funciona o palácio do Café, ainda era uma casa de madeira.

Nesta aventura, Toshio havia deixado a esposa Eloina Pereira Prestes na casa dos sogros, no interior de São Paulo. Na ocasião o casal já tinha dois filhos gêmeos: Marcio Augusto e Carlos Alexandre. E Eloina esperava a terceira filha: Debora Iris Shiokawa. A ideia era primeiro se estabelecer para depois trazer a família com mais segurança.

Ele se instalou provisoriamente numa casa situada na BR 364, e adquiriu o terreno para iniciar a construção do seu hospital, na avenida São Paulo, onde na época não havia praticamente nenhuma edificação. Além de ser uma área de difícil acesso, na época não havia mão de obra para construção na cidade. Ele Trouxe então 20 profissionais de Fátima do Sul, de onde também encomendou todo o material de construção para a grandiosa obra.  

Hoje ainda é possível ver a casa construída inicialmente, para sua moradia na época, que mantem a arquitetura original, e onde fica atualmente o estacionamento do hospital.

Em 1976, já melhor instalado, Toshio trouxe a família para Cacoal. No início dos trabalhos o jovem médico percebeu uma demanda muito grande de serviços de saúde para os povos indígenas. Nas décadas de 1970 e 1980 os povos suruís, Cinta Larga e Nambiquaras, viviam de forma bastante primitiva, e tinham até certo receio no contato com os migrantes. O médico atendia com raio X do tórax e fazia internações e outros procedimentos gratuitamente para os indígenas.

Mais tarde, em meados dos anos de 1980 foi criada pela Funai uma equipe volante para atendimento dos indígenas, a equipe médica volante do parque indígena do Aripuanã, que contava com o médico chefe, dentista e enfermeiro. Toshio e a equipe atuaram juntos nessa missão de levar saúde aos indígenas até 1982, quando pediu desligamento, para se dedicar integralmente ao hospital.

Anos antes, em 1977, foi instalado oficialmente o município de Cacoal. Numa pequena cerimônia para 100 pessoas. Foi um período punjante, de grande crescimento econômico e intensa migração para Rondônia.

Nesta época Toshio foi nomeado médico legista, cargo em que se manteve por alguns meses. No mesmo ano, foi eleito o primeiro presidente do Lions Clube da nova cidade, cargo em que se manteve por três gestões, sendo convidado para assumir a governadoria do Lions em 1983, mas não pode assumir a função devido aos trabalhos no hospital. Neste período fez muitos trabalhos sociais, com o auxílio de companheiros de missão, entre eles o empresário Valdir Jorge, proprietário até hoje de máquina de beneficiamento de cereais, que posteriormente assumiu a presidência do Clube de serviços, por indicação de Toshio.

Ao longo dos anos o hospital crescia junto com a cidade, Toshio sempre atuante adquiriu em São Paulo mudas de Flamboyants para arborizar e promover paisagismo na cidade, com apoio dos companheiros de Lions.

Em 1979, foi inaugurado o primeiro clube da região: O Country Club, um importante ponto de encontro, lazer e festividades de Cacoal por décadas. O jovem médico foi o primeiro presidente do clube.

Em 1981 novamente prestou auxílio aos povos indígenas, durante um surto de sarampo em que 40 indígenas foram contaminados, e receberam tratamento gratuito no hospital.

No mesmo ano assumiu a Associação Comercial e Industrial de Cacoal (ACIC), contribuindo diretamente para a criação da feira livre no município, como fomento à agricultura e comercialização dos produtos, vocação econômica natural da cidade até hoje.

À frente da entidade lutou para a instalação da primeira retransmissora de TV na cidade, construída numa área comprada do empresário Osmar Passarelli, proprietário do escritório de contabilidade Ivaína.

O doutor Toshio também atuou para a instalação do banco Bradesco e Banco do Brasil, tendo recebido a conta de número 2 do Bradesco. Devido ao êxito do negócio foi instalada a primeira escola pública da região, a Fundação Bradesco. Também foi responsável pela instalação dos Correios e da Guarda Mirim.

A falta de energia elétrica era um problema sério na região até os anos 1990. Toshio não mediu esforços em pleitear melhorias no sistema, durante a gestão do então governador Jorge Teixeira, já que Cacoal dependia de geradores da cidade vizinha. E era comum a cidade ficar muitas horas sem abastecimento regular de energia, prejudicando a todos.

Em meados da década de 1990, na gestão do então prefeito Divino Cardoso, foi nomeado para assumir o Conselho de Desenvolvimento Industrial de Cacoal, que foi o embrião do Distrito Industrial, hoje em pleno funcionamento.

Em paralelo à Medicina, e todas as atividades realizadas, Toshio teve vários empreendimentos. Foi sócio de escritório de Contabilidade, teve uma casa noturna e investiu na criação de gado e plantação de café, em uma propriedade no Castanhal.

Mas continuava sempre se atualizando e investindo em conhecimentos na sua área de atuação. Para tanto fez especialização em Radiologia, em 1989, época em que arrendou o hospital. Em 1992 fez Mestrado na área Radiologia Vascular pela Universidade de São Paulo.

Acompanhado da segunda esposa, Marta Simone, retornou a Cacoal e reassumiu o cargo de diretor administrativo do hospital. Em 1994 nasce a filha do casal, Milena Mayumi Shiokawa. O parto foi feito pelo médico ginecologista Edson Marquiori, que há anos integra o corpo clínico do hospital.

Em 1996 o médico deixa definitivamente o cargo, e vende o hospital para um grupo de 9 médicos e um bioquímico. Com o trabalho de um arquiteto de Curitiba, a unidade passou por reformas e mudanças na estrutura, garantindo sempre um melhor conforto para o atendimento aos pacientes.

Toshio Shiokawa é Médico formado pela Universidade de São Paulo

Especialista em Ultrassonografia e Acupuntura Médica pela Associação Médica Brasileira

Atualmente atua em uma clínica de Radiologia na cidade de Praia Grande, litoral de São Paulo, ao lado de outros 22 médicos.

Sua empresa, a CEDIAL, Centro de Diagnósticos Médicos tem o selo ISO de qualidade desde 2013 e o selo da Organização Nacional de Acreditação (ONA) desde 2015. A ONA é a melhor empresa de certificação de serviços de saúde do Brasil. No estado de São Paulo apenas 192 empresas tem este selo.

Toshio Shiokawa atua ainda como médico voluntário no Hospital dos Servidores Públicos do Estado de São Paulo e como monitor de Acupuntura Médica da Associação Médica Brasileira de Acupuntura, de forma totalmente voluntária, desde 2008.